terça-feira, 15 de setembro de 2009

Porão do Rock com Inocentes


Felipe Seabra, do Plebe Rude, se infiltrou na coletiva dos Inocentes e mandou uma pergunta, se identificando como repórter da revista "Gracie". "Como você consegue transitar entre uma banda punk de São Paulo e uma banda de filhos de ministro em Brasília?" A gargalhada foi geral. "Pô, eu tenho que filar a bóia de alguém!", respondeu Clemente com uma gargalhada. Como se sabe, Clemente atualmente se divide entre a Plebe e os Inocentes.

Clemente lembrou que já são 26 anos de Inocentes desde os tempos de ''Pânico em SP'' e ''Garotos do subúrbio'', daí perguntei se era difícil manter a coerência e a relevância por tanto tempo. "Difícil é. Para ganhar dinheiro você tem que fazer algumas concessões , mas nós nos mantemos coerentes. O reconhecimento demora, nós levamos 10 anos para chegar ao Porão do Rock, mas é gratificante porque é o que a gente acredita. Estamos mais velhos, depois do show dói tudo, mas estamos aí.

Dentro do mesmo espírito, um colega perguntou se ele ainda revalidava sua frase mais famosa, na época em que o punk paulista procurava se afirmar: "Nós estamos aqui para detonar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das 11, pisar nas flores do Geraldo Vandré e transformar a Amélia numa mulher qualquer." A resposta: "Naquele momento foi importante dizer aquilo, de esclarecer que estávamos indo contra o estabelecido. Pouca gente percebe mas o punk paulista influenciou o mangue beat, se existe esse rock hoje é porque nós começamos lá atrás." E mais: "O punk não faz política partidária mas é político quando fala do que toca a gente. Punk não é necessariamente política, punk é uma atitude musical, você faz o que quer." O show teve os clássicos da banda "Pátria amada" - "Tudo a ver aqui, bem perto do Congresso", disse Clemente. Alguns versos: "Pátria Amada, é pra você esta canção/ Desesperada, canção de desilusão/ Não há mais nada entre eu e você/ Eu fui traído e não fiz por merecer. E mais "Rotina", Expresso Oriente, Miséria e fome, Ele disse não).

Fonte:
http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/default.asp?a=39&periodo=200706


Nenhum comentário:

Postar um comentário